BGS 2026 ainda vale a pena? Minha experiência no evento
Depois da minha primeira BGS, fica a pergunta: a feira perdeu espaço para outros eventos ou ainda continua valendo a visita para quem realmente quer jogar?
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A Brasil Game Show 2026 foi minha primeira experiência presencial com a BGS, e talvez eu tenha ido para o evento em um dos momentos mais curiosos de sua história. Durante muitos anos, falar da BGS era praticamente falar da maior feira de games da América Latina. Hoje, depois da chegada da Gamescom Latam e de eventos gigantescos como a CCXP, esse posto já pode ser discutido.
Mas existe uma diferença enorme entre dizer que a BGS perdeu espaço e afirmar que o evento morreu ou está caminhando para o fim. Depois de passar um dia inteiro na feira, minha impressão ficou exatamente no meio desses dois extremos: claramente não estamos mais na era de ouro da BGS, mas ainda existe bastante coisa ali que pode justificar a visita, principalmente dependendo do que você procura em uma feira de games.

Assista ao vídeo da nossa experiência na BGS:
Gamescom Latam hoje parece oferecer mais
Como também participei da Gamescom Latam neste ano, a comparação acabou sendo inevitável. Minha principal sensação é que havia muito mais coisas acontecendo ao mesmo tempo por lá. Mais jogos, mais estúdios e mais opções para dividir a atenção do público. Mesmo quando o evento estava cheio, perto do encerramento já era possível encontrar alguns jogos com filas pequenas ou até praticamente sem espera.
Na BGS aconteceu o contrário. Mesmo nos últimos 30 minutos, alguns dos títulos mais disputados ainda tinham filas perceptíveis. Minha impressão é que isso acontece justamente porque existem menos atrações para espalhar o público. Quando todo mundo quer testar um grupo relativamente pequeno de grandes jogos, essas filas permanecem concentradas praticamente até o fechamento dos portões.
A CCXP também acaba entrando nessa comparação, embora seja um evento bem mais amplo. Hoje ela ocupa tranquilamente o espaço de maior evento geek do Brasil, enquanto vejo a Gamescom Latam de olho em assumir o posto de principal evento puramente gamer. Isso não elimina a BGS, mas coloca uma pressão enorme para que ela volte a oferecer diferenciais.
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Ainda existem jogos que fazem a visita valer a pena
Apesar das críticas, a BGS conseguiu algo importante neste ano: trazer jogos que ainda nem haviam sido lançados. Durante nossa visita conseguimos testar Final Fantasy Revelations, Stranger Than Heaven e o novo Crazy Taxi, experiências que dificilmente teríamos acesso naquele momento fora da feira.
E ainda ficou muita coisa pelo caminho. Queríamos jogar também Persona 4, Alien: Isolation 2 e Nintendo Switch Sports Resort, mas simplesmente não tivemos tempo. Isso mostra um lado curioso da BGS: mesmo sendo uma feira com menos atrações do que algumas concorrentes, um único dia continua sendo insuficiente para fazer tudo aquilo que você deseja.
Parte disso também acontece pelo horário. Para o público geral, a feira funciona do meio-dia às 21h. Nove horas parecem bastante no papel, mas deixam de parecer quando você coloca almoço, deslocamento entre estandes e filas que podem consumir uma parcela enorme do dia. A CCXP está repetindo esse formato, mas na Gamescom Latam o evento começava às 10h e ia até às 21h em determinados dias, essas horas adicionais fazem diferença. Na BGS, você precisa chegar sabendo que será necessário escolher prioridades.
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Talvez o problema seja para quem a BGS ainda funciona
Tenho visto influenciadores e criadores dizendo que “a BGS não é mais a mesma”, e existe verdade nisso. Ela realmente está distante do período em que grandes empresas disputavam espaço, anúncios aconteciam durante a feira e praticamente todas as gigantes da indústria queriam estar presentes. Mas acho um pouco alarmista transformar essa mudança em “a BGS acabou”.
Talvez a questão seja simplesmente entender para qual público a feira ainda entrega valor. Um influenciador grande provavelmente não vai enfrentar duas horas de fila para jogar algo que poderá receber antecipadamente da publisher algumas semanas depois. Para esse público, talvez realmente exista menos conteúdo para produzir. Quem procura dezenas de ativações elaboradas ou volta para casa carregado de brindes também pode se decepcionar. Em um dia inteiro, os brindes que recebi foram basicamente pôsteres, cartelas de adesivos e uma sacola da Nintendo.
Mas para quem entra na feira querendo jogar aquele título ao qual normalmente não teria acesso, conversar sobre games e experimentar lançamentos antes de todo mundo, ainda existe valor. E talvez esse seja justamente o principal diferencial que a BGS precisa preservar enquanto tenta recuperar aquilo que perdeu.
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Preço e ausência das gigantes pesam bastante
O ingresso também entra nessa conta. Quando comparada à Gamescom Latam, que neste ano ofereceu mais opções, estúdios e atividades por um preço mais baixo, a BGS acaba ficando em uma posição complicada. Já a CCXP opera praticamente em outra escala: é um evento gigantesco, com cinema, séries, quadrinhos, games, artistas e uma quantidade enorme de marcas disputando atenção.
Por isso, quando alguém paga o valor cobrado pela BGS, é natural esperar uma feira mais robusta. E a ausência de algumas das maiores empresas da indústria pesa demais nessa percepção. O Xbox não estava presente e a PlayStation aparecia apenas através de um espaço dedicado à venda de produtos, sem aquela presença de marca e de jogos que muitos esperariam encontrar em uma das principais feiras gamers do país.
Nesse ponto, preciso destacar a Nintendo. Dá para discutir tranquilamente o preço do Nintendo Switch 2 e dos jogos da empresa, mas uma coisa precisa ser reconhecida: ela continua aparecendo nesses grandes eventos brasileiros. Neste ano havia um enorme estande, vários jogos disponíveis e títulos ainda não lançados. Para uma empresa que durante muito tempo manteve uma relação complicada com o Brasil, essa presença constante merece reconhecimento.
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Minha primeira BGS ainda foi uma boa experiência
Talvez eu tenha conhecido a BGS tarde demais para experimentar aquela feira gigantesca que muita gente guarda na memória. Não vi anúncios históricos acontecendo no palco nem dezenas de grandes publishers disputando quem construía o estande mais impressionante do evento.
Mesmo assim, eu aproveitei minha primeira BGS. Joguei títulos que queria conhecer, tive contato antecipado com lançamentos e saí de lá querendo retornar caso a próxima edição consiga crescer.
Minha torcida não é para provar que a BGS continua sendo a maior feira de games da América Latina. Isso pouco importa para quem compra ingresso. O que eu quero é que ela volte a disputar esse espaço oferecendo mais jogos, mais estúdios, horários melhores e motivos suficientes para que diferentes públicos queiram passar um dia inteiro ali.
Porque a BGS pode ter perdido parte do tamanho que já teve, mas isso é muito diferente de dizer que perdeu completamente sua relevância.
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