Death Stranding continua sendo uma obra única e prova que ainda vale jogar
Entre caminhadas solitárias, narrativa simbólica e uma ambientação impecável, o jogo de Hideo Kojima entrega uma experiência profunda, estranha e memorável.

Imagem: divulgação
Eu comecei a jogar Death Stranding muitos anos depois do lançamento e, sinceramente, me arrependi de ter demorado tanto. A sensação que fica é a de ter deixado passar uma experiência que não é apenas diferente, mas rara dentro da indústria. O jogo de Hideo Kojima não tenta agradar todo mundo. Ele prefere ser profundo, esquisito e único, e exatamente por isso acaba marcando tanto.
Uma experiência que pede paciência
A primeira grande barreira de Death Stranding é também parte da sua identidade. É um jogo que exige calma, presença e disposição para aceitar o ritmo que ele impõe. Muita gente desiste cedo por esperar ação frenética o tempo todo, mas a proposta aqui é outra. O jogo quer que o jogador caminhe, carregue peso, enfrente a solidão e se conecte com o universo aos poucos.
Essa escolha de design pode até afastar quem procura algo mais direto, mas ela faz total sentido dentro da proposta da obra. Cada entrega, cada trajeto e cada obstáculo servem para reforçar a fragilidade do protagonista e dar mais peso emocional à jornada.
Jogabilidade estranha, mas intencional
Sim, Death Stranding pode soar estranho em vários momentos. Caminhar com carga pesada, equilibrar pacotes, escorregar em ladeiras e até dirigir fora da estrada pode parecer frustrante à primeira vista. O uso de armas também passa uma sensação meio desengonçada em certos trechos. Mas isso não parece acidente. Tudo indica que essa limitação foi pensada para reforçar a vulnerabilidade de Sam.
Em vez de um herói tradicional de ação, o jogo apresenta um personagem exausto, sobrecarregado e humano. Isso faz com que cada quilômetro percorrido tenha mais significado. A chegada deixa de ser só um objetivo e vira uma conquista pessoal.
Uma narrativa maluca, mas emocionalmente poderosa
Se você só ouvir a sinopse de Death Stranding, é fácil achar tudo muito maluco. Bebês, mundo quebrado, mortos puxando os vivos para a praia, conexão entre pessoas por fios e mensagens. Só que jogar é diferente de ouvir de longe. Conforme a história avança, cada entrega, cada conversa e cada descoberta vai montando um quebra-cabeça emocional muito maior do que parece no início.
O resultado é uma narrativa que te faz criar teorias, desconfiar de motivações e se importar com personagens que, num primeiro momento, parecem estranhos demais para funcionar. O texto também destaca que o impacto de certas revelações fica muito maior quando você vive tudo dentro do jogo, em vez de apenas receber tudo fragmentado.
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Ambientação, som e direção de arte
Outro ponto que faz Death Stranding brilhar é a parte audiovisual. A trilha sonora aparece no momento certo e tem força suficiente para marcar cenas inteiras. O silêncio também é usado com inteligência, deixando o vento, os passos e os sons do ambiente criarem uma sensação de isolamento muito forte. O jogo ainda ganha muito quando jogado de fone, porque a imersão cresce de forma absurda.
A direção de arte também merece destaque. As paisagens são belas de um jeito sombrio, e cada região tem identidade própria. Montanhas congeladas, rios, áreas perigosas e terrenos difíceis ajudam a transformar a jornada em algo memorável. Não é só cenário. É parte da experiência.
Personagens com camadas
A história também se destaca pelos personagens. Sam não é um herói tradicional, Fragile carrega uma das tramas mais tristes e bonitas do jogo, e os coadjuvantes têm espaço para crescer sem cair em exageros melodramáticos. A obra sabe quando falar demais e quando se calar, e isso faz toda a diferença no impacto emocional.

Imagem: divulgação
Repetição que vira propósito
É verdade que há repetição. Muitas vezes você vai atravessar cenários semelhantes, planejar rotas, subir montanhas e repetir tarefas parecidas por horas. Mas o texto deixa claro que essa repetição não é vazia. Ela serve para criar ritmo, contemplação e até reflexão. Em Death Stranding, a rotina vira parte do significado da jornada.
Também existe um elemento online muito interessante, em que as ações do jogador ajudam outras pessoas e vice-versa. Pontes, escadas e estruturas deixadas por alguém podem facilitar a vida de outro jogador, criando uma sensação de comunidade mesmo dentro de uma experiência que, ao mesmo tempo, é profundamente solitária.
Pontos fracos
Nem tudo funciona perfeitamente. O texto menciona incômodos com a câmera em algumas cenas e uma IA que não impressiona tanto em determinados combates. Ainda assim, esses problemas acabam parecendo pequenos perto do que o jogo entrega como experiência total. São falhas, mas não o bastante para derrubar a força da obra.

Veredito
No fim, Death Stranding é exatamente o tipo de jogo que justifica o termo “jogo como arte”. Ele não é perfeito, mas é corajoso, original e cheio de identidade. É uma experiência que fica na cabeça depois que os créditos sobem, o que por si só já diz muito sobre o impacto que ela causa.
Se eu pudesse resumir essa review em uma frase, seria esta: Death Stranding é estranho, lento em alguns momentos, mas gigantesco no que quer dizer. E, justamente por isso, vale muito a pena ser jogado, mesmo anos depois do hype inicial.
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Por: Anderson Lima
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