Valve alerta: hardware gamer vai ficar mais caro
Hardware gamer pode enfrentar novos aumentos nos próximos meses, com a Valve afirmando que a crise de memória e armazenamento ainda está longe de melhorar.
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Quem estava esperando o preço de computadores, consoles e componentes finalmente baixar pode precisar guardar o cartão por mais algum tempo.
A Valve apresentou uma previsão nada animadora para o mercado de hardware. Segundo a empresa, os custos de memórias RAM e unidades de armazenamento continuam subindo nos bastidores, e os valores encontrados atualmente nas lojas ainda não refletem completamente essa pressão.
Isso significa que aquela placa, SSD ou aparelho que já parece caro pode ficar ainda mais salgado nos próximos meses. O chefão da vez não é falta de estoque de um console específico, mas uma crise que atinge praticamente toda a indústria de eletrônicos.

Valve diz que a situação continua piorando
Em entrevista ao jornalista Jason Schreier, da Bloomberg, o engenheiro da Valve Yazan Aldehayyat afirmou que a situação dos componentes ainda não mostrou sinais de estabilização.
Segundo ele, os preços encontrados atualmente no varejo estão atrasados entre três e seis meses em relação aos custos enfrentados por fabricantes que compram peças em grandes quantidades.
Na prática, muitas lojas ainda estão vendendo produtos montados ou adquiridos antes dos aumentos mais recentes. Conforme esses estoques antigos acabam e são substituídos por unidades produzidas com componentes mais caros, o reajuste começa a chegar ao consumidor.
Por isso, a Valve acredita que os preços podem continuar subindo no curto e médio prazo, mesmo que algumas lojas ainda apresentem promoções ou mantenham valores antigos.

Steam Machine já nasceu mais cara que o planejado
A crise afetou diretamente o lançamento da nova Steam Machine, aparelho criado pela Valve para levar a experiência dos jogos de PC até a televisão da sala.
O modelo mais básico, equipado com 512 GB de armazenamento, chegou ao mercado norte-americano custando US$ 1.049, sem incluir o controle. O valor ficou acima daquilo que a própria Valve desejava inicialmente para o produto.
A empresa explicou oficialmente que começou a garantir os componentes da Steam Machine em 2023, esperando que o comportamento tradicional do mercado continuasse. Normalmente, peças de computador ficam mais baratas conforme novas tecnologias aparecem e os processos de fabricação amadurecem.
Porém, durante o último ano, essa lógica mudou rapidamente, principalmente nos segmentos de memória RAM e armazenamento.
A Valve admitiu que sua meta original de preço deixou de ser viável e que os valores apresentados no lançamento refletem o custo das peças adquiridas durante os seis meses anteriores.
Não foi apenas o preço que sofreu. Em determinados momentos, a companhia afirma que não conseguiu encontrar alguns componentes nem mesmo aceitando pagar mais caro.

Falta de memória também limita a produção
A escassez está impedindo a Valve de fabricar quantas Steam Machines gostaria.
Pierre-Loup Griffais, outro engenheiro da empresa, afirmou que a companhia está produzindo tudo o que consegue, mas a quantidade de aparelhos continua limitada pela disponibilidade de memórias.
A própria Valve adotou um sistema de reservas e sorteio de posições para organizar as vendas iniciais, reduzir a presença de revendedores e distribuir o estoque limitado de maneira considerada mais justa.
As primeiras unidades começaram a ser oferecidas no final de junho, enquanto novos compradores podem permanecer em uma fila de espera durante o restante de 2026.
Apesar da dificuldade, a empresa afirma que não pretende abandonar o projeto. A Steam Machine é tratada como uma extensão do PC gamer, e não como um console tradicional concorrendo diretamente com PlayStation, Xbox ou Nintendo Switch.
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Por que as empresas de IA estão afetando os games?
Um dos principais fatores por trás da crise é o crescimento acelerado dos centros de dados dedicados à inteligência artificial.
Essas estruturas utilizam enormes quantidades de memórias avançadas, armazenamento e outros componentes também necessários na fabricação de computadores, placas de vídeo e consoles.
Como as maiores empresas de tecnologia estão investindo bilhões para ampliar seus sistemas de IA, parte considerável da capacidade das fabricantes de chips está sendo direcionada para contratos corporativos maiores e mais lucrativos.
O resultado é uma disputa desigual. De um lado estão empresas comprando componentes aos milhares para construir centros de dados. Do outro, fabricantes de eletrônicos tentando garantir peças para produtos vendidos aos consumidores.
Essa demanda já elevou os custos de memórias e armazenamento e começa a aparecer nos preços de consoles, computadores, celulares e outros dispositivos.

SSD e RAM podem ficar ainda mais caros
O problema não está restrito às memórias utilizadas em placas de vídeo.
Memórias RAM e chips NAND, utilizados em SSDs, também estão entre os componentes mais pressionados. Isso afeta praticamente qualquer eletrônico moderno, desde computadores básicos até consoles de última geração.
Para quem está montando um PC, o impacto pode aparecer em várias peças ao mesmo tempo:
- módulos de memória RAM;
- SSDs;
- placas de vídeo;
- notebooks;
- computadores pré-montados;
- aparelhos portáteis;
- consoles e acessórios.
Mesmo produtos que não recebem um aumento oficial podem ficar mais caros quando as fabricantes atualizam seus estoques ou substituem componentes por versões com custos maiores.
A previsão da Valve não significa que todos os produtos subirão imediatamente, mas indica que esperar alguns meses não garante preços melhores.
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Hardware mais caro pode afetar até os jogos
A crise não atinge apenas quem pretende comprar um console ou montar um computador.
Quando o preço dos aparelhos aumenta, menos pessoas conseguem entrar em uma nova geração ou atualizar seus equipamentos. Isso pode fazer as desenvolvedoras continuarem oferecendo suporte a máquinas antigas por mais tempo.
Também pode afetar a quantidade de jogadores disponível para novos lançamentos, principalmente títulos que exigem computadores poderosos.
Um console de US$ 1.000 ou um PC cada vez mais caro reduz o público capaz de aproveitar jogos mais exigentes.
Para as empresas, isso cria outro problema: investir em tecnologias gráficas avançadas enquanto parte dos consumidores não consegue pagar pelo hardware necessário para utilizá-las.
No final, a crise de componentes pode influenciar preços, datas, plataformas e até decisões de desenvolvimento.
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Preços altos podem virar o novo normal
A maior preocupação está na ausência de uma previsão clara de melhora.
A Valve afirma que os dados observados nos contratos de fornecimento continuam piores do que aquilo que o consumidor encontra no varejo. Isso sugere que parte do aumento ainda está atravessando a cadeia até chegar às lojas.
Ao mesmo tempo, Microsoft e outras empresas trabalham com a possibilidade de custos ainda maiores durante 2027.
Uma normalização poderia acontecer quando novas fábricas entrarem em operação, a capacidade de produção aumentar ou a procura dos centros de dados desacelerar. Porém, não existe garantia de alívio no curto prazo.
Para o consumidor gamer, o cenário é bastante desagradável. Consoles que deveriam ficar mais baratos estão recebendo reajustes, montar um PC exige cada vez mais planejamento e até fabricantes gigantescas estão encontrando dificuldade para garantir componentes.
A Valve não anunciou um novo aumento da Steam Machine, mas deixou um aviso difícil de ignorar: o preço atual do hardware pode não representar o pior momento da crise.
Se a previsão estiver correta, aquele SSD que já está encarando você do carrinho pode voltar daqui a alguns meses utilizando uma barra de vida maior.
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Fonte: entrevista de engenheiros da Valve à Bloomberg, com informações repercutidas pelo PC Gamer e GamesRadar, além de comunicados oficiais da Valve.
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